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Pluralidade de sons, ritmos e estilos

19 de dezembro de 2013

Em 2013, grupos de raízes populares ganharam espaço, como Antonio Nóbrega, que fez uma grande festa no encerramento; concertos intimistas nos estúdios dos polos também foram novidade 

Nomes importantes da cena musical brasileira e internacional estiveram nos palcos dos polos do Guri para performances artísticas e interações didáticas com os alunos durante a temporada de 2013 da série Horizontes Musicais. No total, foram 50 concertos com nomes como Antônio Nóbrega, Banda Mantiqueira, Pífanos de Caruaru e Juilliard Jazz Artist Diploma Ensemble.

Além dos Teatros dos CEUs e da abertura e encerramento no Memorial da América Latina, foram organizadas apresentações nos estúdios de ensaio dos polos do Guri, uma novidade que teve como efeito aproximar ainda mais artista e público. "A proposta é trazer o artista para a sala de aula, que é o ambiente de aprendizado", diz o coordenador artístico-pedagógico e curador da série, Ricardo Appezzato. "Foi uma aposta que deu muito certo".

Um exemplo desse formato pôde ser visto com o Portinari Duo, formado pelo violinista Peter Pas e pela harpista Soledad Yaya, criado sob inspiração da arte e vida do brasileiro Cândido Portinari. A dupla se apresentou nos estúdios dos CEUs Alvarenga, Parque Veredas e Casa Blanca.

A mistura de gêneros e estilos musicais continua sendo a tônica conceitual da série. Música contemporânea aparece na programação ao lado do jazz novaiorquino; música barroca aparece ao lado do frevo. "Queremos ampliar o repertório dos alunos. Nossa função como educadores é apresentar um novo universo sonoro", afirma Appezzato. "É um direito de todos ter acesso a um material cultural de alta qualidade".

Em 2013, manifestações de cultura popular ganharam espaço. O Grupo Cupuaçu, um dos precursores da famosa festa no Morro do Querosene, em São Paulo, fez uma encenação animada do Bumba-meu-boi. Para o diretor artístico do grupo, Tião Carvalho, é preciso "desmistificar a ideia de que a cultura popular é uma coisa distante, que não é nossa".

Outro grupo ligado às raízes da cultura brasileira que esteve em cena foi o Pífanos de Caruaru, mantendo viva a tradição nordestina dos tocadores de pífanos – ou pífes, modo pelo qual a pequena flauta de madeira é conhecida na linguagem popular. "Quem assistiu à apresentação de hoje teve uma verdadeira aula de história do Brasil", comentou Junior Caboclo, integrante do grupo, após o término da apresentação no polo Brooklin. Appezzato vai na mesma linha e acrescenta: "é importante que os alunos escutem o que esses artistas têm a dizer porque eles são a própria história. É um aprendizado dinâmico".

Essa assimilação de conteúdo é um dos resultados esperados da proposta didática que o projeto vem desenvolvendo desde a sua criação. Cada grupo interage com o público à sua maneira. No concerto de jazz de estudantes de pós-graduação da Juilliard, por exemplo, os espectadores tiveram uma breve aula sobre o gênero. "Achei maravilhoso. Vou escutar [jazz] durante a vida inteira", garantiu a menina Brenda de Morais, 16.

E no encerramento da série, com o pernambucano Antonio Nóbrega, a garotada viu na prática o que é o brincante, termo que remete ao universo lúdico dos artistas populares. O artista mostrou disposição de sobra e colocou todo mundo para dançar. "Ele despertou uma emoção que eu nunca tinha visto antes no palco, interagindo com a galera", comentou o aluno Willian Orlande, 18. Isabela Moura, 14, atentou para os ritmos tocados. "Não tinha noção do que era o Coco. Achei bem interessante. [A série Horizontes Musicais] é um meio de a gente ter acesso a outros tipos de música".

A programação da próxima temporada deve ser definida no começo do ano que vem. Segundo Appezzato, seguirá a mesma organização: apresentações com ícones da música brasileira na abertura e encerramento, intercaladas com dezenas de grupos de diferentes vertentes. É só aguardar, para seguir caminhando rumo a esse horizonte musical.