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Coral Infanto-Juvenil grava obras encomendadas

14 de julho de 2013

O CD Cantos Novos, gravado em dezembro de 2012, é o primeiro produzido pelo Programa e tem o propósito de divulgar e incentivar um repertório específico para coros infantis e juvenis. Três compositores brasileiros escreveram exclusivamente para o Coral; entre as peças, versões para poemas de William Blake e haicais de Millôr Fernandes

No dia 7 de julho, o auditório do Masp foi palco de mais um importante momento para o Programa Guri Santa Marcelina: o concerto que marcou o lançamento oficial do CD Cantos Novos, do Coral Juvenil do Guri. Os compositores Eduardo Guimarães Álvares, Vitor Gabriel e Leonardo Martinelli criaram peças exclusivas para as vozes das crianças e adolescentes do Guri para a produção do álbum, que é o primeiro registro do trabalho desenvolvido com os alunos semanalmente nos Grupos Infantis e Juvenis. O compositor Roberto Rodrigues também participou com uma obra baseada em uma melodia folclórica do Recôncavo Bahiano já usada por Villa-Lobos.

O público, que lotou o espaço na manhã de um ensolarado domingo de inverno paulistano, prestigiou o concerto que contou com alunos da atual formação e cinco alunas convidadas da formação do ano passado. Também estiveram presentes dois dos compositores do CD: Victo Gabriel e Leonardo Martinelli.

Sobre o CD

No encarte já é possível ter noção da dimensão pedagógica atingida com o projeto. São dois prefácios – um deles escrito pela professora Yara Caznok, do Instituto de Artes da Unesp; e outro de Samuel Kerr, referência na área de canto coral no país, professor aposentado do Instituto de Artes da Unesp, e conselheiro da Santa Marcelina Cultura – que enfatizam o estágio alcançado com a conclusão da gravação. “O equilíbrio entre as vozes, a homogeneidade tímbrica de cada naipe, a afinação, as respirações musicalmente realizadas, o trabalho com intensidades e as sutilezas de articulações que pontuam os aspectos semânticos e formais das peças, dentre outros aspectos, realçam a pureza e a suavidade da voz infanto-juvenil e nos oferecem uma interpretação madura e consistente de um repertório raro por sua complexidade e beleza”, elogia a professora. Kerr concorda e acrescenta que isso foi possível “cantando o romanceiro medieval, haicais, poemas de William Blake e de Rosalía de Castro, transformados em canção por compositores, arranjadores, professores e regentes que souberam realçar a beleza das vozes juvenis e o brincar/cantar das crianças em coro”.

Com exceção de O Rei Mandou Chamar João, obra de Roberto Rodrigues, todas as demais faixas foram feitas sob encomenda para o grupo, cujas vozes adolescentes em transição demandam atenção na escolha do repertório. Segundo Giuliana Frozoni, diretora musical do projeto, regente dos corais e coordenadora artístico-pedagógica da Santa Marcelina Cultura, Rodrigues é um peso a mais no projeto. “Não há muito repertório para esse tipo de formação coral em língua portuguesa. Alguns dos meninos estão ainda passando pela muda vocal, então, é preciso explorar e conhecer todas as possibilidades que estas vozes adolescentes oferecem”, explica Giuliana. Yara Caznok concorda: “São composições e arranjos a três ou mais vozes cujas texturas e estruturas melódicas e rítmicas se enredam a sofisticadas harmonias – por vezes cromáticas – e a diferentes acompanhamentos instrumentais, tornando esta produção um verdadeiro marco na história do canto coral infanto-juvenil brasileiro”.

Três faixas são interpretadas pelas crianças do Coral Infantil – Três animais em forma de haicai – e foram encomendadas a Leonardo Martinelli, que realizou, sobre haicais de Millôr Fernandes, peças lúdicas e delicadas, centradas no universo sonoro dos bichos. Também há o Pato Rítmico, de Eduardo Guimarães Álvares, cujo bem humorado texto o Coral Juvenil interpreta com prazer, vencendo diversos desafios técnicos e musicais. O cuidado com a qualidade sensível dos textos também pode ser encontrado nas quatro composições de Vitor Gabriel, terceiro compositor a quem foram encomendadas obras exclusivas, que criou sobre poemas de William Blake (1757-1827): Um Sonho, O Anjo, O Cordeiro e O Tigre (tradução de Manuel Portela). Vitor acompanhou o coral como regente convidado por um ano e meio. “Muitos compositores não se imaginam escrevendo peças simples, para grupos de crianças ou adolescentes. Erroneamente, pensamos que escrever para um grupo iniciante é mais fácil, mas não, requer do compositor conhecimento e habilidades ímpares. Afinal, é preciso levar em consideração não apenas os aspectos técnicos ou estéticos da obra, mas também é preciso refletir a respeito do perfil e possibilidades do grupo que faz a encomenda. Que textos ou sonoridades são estes com os quais uma criança ou adolescente, em 2013, por exemplo, vai se identificar?”, indaga Giuliana Frozoni.

 Ainda, as peças em língua galega trazem a poesia e a música de matriz popular, das rodas e das cantigas de tradição oral, como é o caso de Cando era tempo de inverno, Campanas de Bastabales, Adiós, rios; adiós, fontes, com texto da poetisa espanhola Rosalía de Castro (1837-1885). Uma quarta canção espanhola, Romance del Prisionero, encontrada na coletânea renascentista Romancero viejo, completa o conjunto de arranjos realizados por Xavier Bartaburu. Os 60 meninos e meninas que compõem o Coral Juvenil do Guri ensaiam todos os sábados, desenvolvendo, além de algumas das obras gravadas no CD, um repertório bastante variado. Para o concerto de lançamento, 17 integrantes da formação de 2012 vão se unir ao grupo para apresentar o que gravaram.

O lançamento do CD Cantos Novos é um reflexo do trabalho que a Santa Marcelina Cultura vem desenvolvendo na gestão do Guri em 44 polos de ensino da capital e região metropolitana de São Paulo. Os dois milhões atendimentos em aulas, master classes e concertos didáticos, os 700 eventos culturais para a comunidade, as 330 atividades socioculturais desenvolvidas em 2012, são fatores que contribuem para que os alunos atinjam um grau de maturidade musical e pessoal que lhes permitem buscar constantemente novos desafios.