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Juilliard School: a realização de um sonho

21 de novembro de 2012

Um dos conservatórios mais respeitados do mundo recebeu Davi e Luis para atividades junto aos alunos regulares

O contrabaixista Davi Ciriaco, 19, e o trombonista Luis Victor, 14, ambos do Guri, voltaram na última semana de outubro de uma experiência que ficará na memória deles por toda a vida. Os jovens passaram uma semana em atividades na conceituada Juilliard School, em Nova York, e puderam conhecer um pouco da vida cultural de uma das maiores metrópoles do mundo.

A viagem faz parte de um intercâmbio proporcionado aos alunos do Programa devido à parceria da Santa Marcelina Cultura com a escola norte-americana. A ida dos guris a Nova York teve o objetivo de dar a esses jovens estudantes uma vivência única em um conservatório que é responsável por formar ícones da música mundial, tais como Renee Fleming, James Levine, Itzhak Perlman e o popstar Yo Yo Ma.

O jovem Davi, que recentemente ingressou na Orquestra Jovem do Estado, o que representa uma mudança significativa de nível musical, disse que achou impressionante “a maneira com que todo o pessoal nos recebeu”. “Durante toda a semana de atividades me senti como se fosse um aluno matriculado da escola. Reservava uma sala, pegava um contrabaixo e ficava lá estudando por horas”, relata.

O garoto estudava em média 5 horas por dia sozinho, mais ou menos o tempo que se dedica normalmente, no Brasil. Além desse tempo de prática individual, do qual os dois estudantes desfrutaram, a maior parte da agenda foi composta por aulas em que eles assistiam como ouvintes. “Os alunos foram muito legais com a gente”, diz Davi.

O menino Luis, por sua vez, disse que quando recebeu a notícia de que iria para uma das mais respeitadas escolas de música do mundo “foi um choque, deu falta de ar”. A mãe dele, Sandra da Silva Oliveira, também ficou “sem palavras”. “Eu nunca tive a possibilidade de pagar uma escola e agora ele tem a oportunidade de ir para fora do Brasil”, comenta.

O jovem trombonista foi a Nova York com alguns nomes de músicos que desejava entrar em contato, como Joseph Alessi, referência no instrumento, que toca na filarmônica da cidade. Isso demonstra um pouco do foco e do interesse genuíno que o guri tem por música. Assim como o companheiro de aventura, ele ficava horas estudando nas salas que lhe eram oferecidas, como se buscasse extrair o máximo da experiência e da atmosfera artística do conservatório. O desempenho dele em audições informais deixou professores impressionados com a habilidade, principalmente por conta da pouca idade.  

O coordenador pedagógico da Santa Marcelina Cultura, Ricardo Apezzato, que acompanhou a viagem dos guris aos Estados Unidos, voltou com o sentimento de dever cumprido. “Foi muito proveitoso para todos. Um intercâmbio como esse tem o potencial de abrir a mente dos meninos para o que existe de melhor no mundo da música. Isso sem contar a bagagem cultural adquirida, afinal, foram dez dias de programação intensa, que incluiu contato com músicos de ponta, espetáculos e um ambiente de troca de ideias diferente do que estão acostumados”, avalia.

Durante os dez dias de viagem, praticamente todos eles foram preenchidos da manhã até a noite. “Foi bastante puxado”, conta Davi.

Um dos pontos que mais chamou a atenção de professores e representantes do conservatório americano envolvidos no intercâmbio foi a disposição dos meninos em aprender coisas novas, o empenho e a disciplina nas atividades. O maestro George Stelutto, que veio ao Brasil em julho deste ano conduzir a Orquestra Sinfônica do Guri, postou um comentário no facebook com os dizeres: “Foi uma felicidade encontrar com os amigos do Guri Santa Marcelina. Espero voltar ao Brasil o quanto antes”.

Foi a primeira vez que a Juilliard fez esse tipo de parceria com um programa  sociocultural no Brasil. Durante passagem por São Paulo para conhecer as atividades da Santa Marcelina Cultura, no mês de agosto, o presidente da escola Joseph Polisi afirmou que “o Brasil é o país com o qual a Juilliard conseguiu ter mais sinergia”. Para a assessora cultural do Consulado dos EUA, “o intercâmbio oferece uma oportunidade ímpar para aproximar jovens brasileiros e americanos através da linguagem universal da música”.

Davi, que tem por objetivo integrar-se o quanto antes a um grupo profissional de alto nível para poder seguir na carreira de músico, afirma ter aproveitado ao máximo a viagem e escutado atentamente as palavras dos professores. “Foi um sonho”, declara. O amigo Luis vai na mesma linha: “era um lugar que eu sempre sonhei conhecer, espero poder voltar um dia”.