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EMESP realiza a quinta edição do Encontro Internacional de Música Antiga com a participação especial do maestro belga Sigiswald Kuijken

01 de junho de 2016

Realizado pelo Núcleo de Música Antiga da Emesp Tom Jobim, encontro acontece entre os dias 6 e 11 de junho, com master classes para estudantes de música barroca em diversos instrumentos e canto, e encerra com um concerto aberto ao público no Auditório do Masp

 

Na próxima semana, acontece a quinta edição do Encontro Internacional de Música Antiga na sede da EMESP Tom Jobim, que fica no bairro da Luz, na capital paulista. Serão seis dias de atividades que visam difundir as práticas interpretativas históricas no Brasil e despertar o interesse pelo repertório musical dos séculos XVII e XVIII, com a participação de um convidado bem especial: o maestro e violinista belga Sigiswald Kuijken, que foi um dos pioneiros do movimento de música antiga na Europa e fundador de uma das mais antigas e respeitadas orquestras barrocas da atualidade, a La Petite Bande.

Sob a curadoria do músico Luis Otavio Santos, que é violinista, coordenador pedagógico do Núcleo e um dos maiores nomes do cenário barroco brasileiro, a iniciativa é uma realização da EMESP Tom Jobim – escola do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura do Estado, gerida pela organização social Santa Marcelina Cultura – por meio do seu Núcleo de Música Antiga.

O evento, que já se consolidou na agenda musical do país como um dos mais significativos do gênero, é aberto ao público e propõe uma atividade pedagógica conjunta, entre os professores do Núcleo, músicos convidados e alunos da escola e de outras instituições do Brasil, com o objetivo de formar uma orquestra barroca. A programação, toda gratuita, oferece master classes com os principais músicos brasileiros de performance em instrumento de época:  Natalia Chahin (oboé barroco), Alessandro Santoro (cravo), João Guilherme (violoncelo barroco), Livia Lanfranchi (traverso), Luis Otavio (violino barroco), Ricardo Kanji (flauta doce) e Guilherme Camargo (cordas dedilhadas) e Marilia Vargas (canto). Sigiswald Kuijken também irá ministrar uma aula dedicada a grupos de câmara, além de participar de ensaios com coral e orquestra em preparação para o concerto de encerramento.

Para Luis Otavio Santos, “a presença de Sigiswald Kuijken no Encontro é reflexo dos resultados pedagógicos e artísticos que o Núcleo de Música Antiga vem conquistando ao longo dos anos. É um orgulho possuir um atelier, onde os alunos podem aprender e atuar com os mestres de seus mestres”. O resultado será um da Orquestra Barroca – formada especialmente para o evento – com o Coral Jovem do Estado, grupo artístico estruturado, formado por bolsistas da EMESP Tom Jobim e sob regência do maestro belga Sigiswald Kuijken. No repertório, composto exclusivamente de música francesa do período barroco, estão Ballet Les Elemens, de J.F. Rebel, que descreve a criação do universo a partir do caos, união dos quatro elementos para formar o mundo; e o Moteto In Exitu Israel, de J.C. Mondoville. Nesta segunda obra, um madrigal também formado para o Encontro participa com textos poéticos de forte impacto dramático. A apresentação acontece no sábado (11 de junho), às 16h, no Auditório do MASP Unilever, que fica na Avenida Paulista.

As inscrições para participar das master classes encerraram no dia 18 de maio. O Núcleo de Música Antiga da Emesp Tom Jobim é o único do gênero no país e se espelha nos melhores currículos de escola de música antiga da Europa e traz para o Brasil o mais completo curso regular nessa modalidade, com uma proposta estruturada e duração de quatro anos.

 

Serviço

V Encontro Internacional de Música Antiga da Emesp Tom Jobim
Data: de 6 a 11 de junho (segunda a sábado)

Master classes
Horário: das 14h às 17h
Local: Emesp Tom Jobim – Largo General Osório, 147, Luz – São Paulo
Data: 8 de junho (quarta-feira)
Oboé Barroco com Natalia Chalin
Canto Barroco com Marília Vargas
Cravo com Alessandro Santoro
Viloncelo Barroco com João Guilherme Figueiredo

Data:
9 de junho (quinta-feira)
Grupos de Câmara com Sigiswald Kuijken
Data: 10 de junho (sexta-feira)
Traverso com Livia Lanfranchi
Violino Barroco com Luis Otavio Santos
Cordas Dedilhadas Barrocas com Guilherme de Camargo
Flauta Doce com Ricardo Kanji

Concerto de encerramento

Orquestra Barroca e Madrigal do Núcleo de Música Antiga Emesp
Regente: Sigiswald Kuijken
Data: 11 de junho (sábado)
Horário: 16h
Local: Auditório MASP Unilever
Endereço: Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César, São Paulo, SP
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Capacidade: 374 lugares
Classificação: Livre

Programa:

Jean-Féry Rebel (1666-1747) Ballet Les Elemens 

Jean-Joseph de Mondonville (1711-1772) Moteto In Exitu Israel

 

Sigiswald Kuijken – regente convidado

Kuijken e seus irmãos são verdadeiros emblemas de uma era e igualmente pioneiros e referências em seus instrumentos. Foram responsáveis pela formação de centenas de profissionais, muitos deles hoje respeitáveis professores espalhados por todo o mundo; o nome Kuijken é, literalmente, uma instituição. É sinônimo de um gosto musical distinto e inconfundível, marcado pelo rigor, bom gosto, erudição e profundo respeito pela música. Sigiswald estudou violino nos conservatórios de Bruges e de Bruxelas, no qual concluiu sua instrução com Maurice Raskin em 1964. Estudando por conta própria ganhou conhecimentos específicos de performance de violino e viola de gamba do século XVII e XVIII. Foi membro do Conjunto Alarius, com Wieland Kuijken, Robert Kohnen e Janine Rubinlicht, que performou na Europa e nos EUA.

Em 1972, assumiu alguns projetos de música de câmara com especialistas em música barroca e foi encorajado pela Deutsche Harmonia Mundi e por Gustav Leonhardt a fundar a orquestra barroca La Petite Bande, uma das mais antigas orquestras barrocas ainda em atuação, que já performou na Europa, Austrália, América do Sul, China e Japão e possui uma grande discografia que serve de referência e estudo da história da música antiga.

Desde 1998, Sigiswald Kuijken ocasionalmente rege Orquestras Sinfônicas “modernas” em programas românticos. De 1971 a 1996, ele é professor de violino barroco no Conservatório Koninklijk e de 1993 a 2009 no Conservatório Koninklijk Muziek em Bruxelas. Ele também é frequentemente convidado a dar aulas em instituições como Royal College of Music in London e Universidade de Salamanca.

Pelo conjunto da sua obra, como professor, instrumentista e regente, Sigiswald recebeu o “Doctor Honoris Causa” da Universidade de Leuven. Em 2007, Kuijken recebeu um doutorado honorário da KU Leuven e em 2009 recebeu o prestigioso ”Life Achievement Award” do Governo Flamengo. Ele também tem prêmios como a medalha de ouro da Academia Real Flamenga de Artes e Ciências da Bélgica e o Career Award of KLARA.

 

Luis Otavio Santos

Doutor em música pela Unicamp, obteve graduação e mestrado em violino barroco pelo Conservatório Real de Haia (Holanda), com Sigiswald Kuijken. Seu CD Sonatas para violino de J.M.Leclair venceu o prêmio “Diapason d’Or” na França, em 2005. Em 2007 recebeu o título de comendador da “Ordem do Mérito Cultural”, concedido pelo Ministério da Cultura. Foi diretor artístico nas 25 edições do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora. É fundador e coordenador do Núcleo de Música Antiga da EMESP Tom Jobim.

 

Ricardo Kanji, flauta doce
Especializou-se na interpretação da música barroca e clássica ao longo dos 25 anos de sua estada na Holanda, onde foi professor do Conservatório Real de Haia. Criou, em 1997, o Coro e Orquestra Vox Brasiliensis, conjunto com o qual se dedicou como diretor artístico ao projeto História da Música Brasileira. Por este trabalho, foi premiado como o melhor regente pela APCA. Recebeu o Prêmio Bravo de 2009 pela melhor gravação do ano, além da nomeação para o Grammy Latino.

Livia Lanfranchi, traverso
Graduada em flauta moderna pelo Conservatório de Santa Cecília (Itália), especializou-se em traverso e música antiga na Schola Cantorum Basiliensis (Suíça). Estudou com Linde Brunmayr na Hochschule für Musik em Trossingen (Alemanha), e com Barthold Kuijken no Conservatório Real de Haia. Em 2001 concluiu seu mestrado em flauta barroca e clássica com distinção. Gravou com a Mozart Akademie Amsterdam e a Den Haag Baroque Orchestra. Em 2009 lançou pelo selo Clássicos o CD Sonatas para flauta de Bach, com o cravista Alessandro Santoro. É professora de traverso na EMESP Tom Jobim.

Natalia Chahin, oboé barroco
Estudou flauta doce com Bernardo Toledo Piza e Cléa Galhano. Em 1992 graduou-se em flauta doce no Conservatório Real de Haia, estudando com os professores Ricardo Kanji, Marion Verbrüggen e Sébastien Marc. Também no Conservatório obteve seu Diploma de Solista (Master’s Degree) em oboé barroco, sob a orientação do professor Ku Ebbinge. Desde 1994, é professora de flauta doce e oboé barroco no Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora. É professora de oboé barroco na EMESP Tom Jobim desde 2007.

João Guilherme Figueiredo, violoncelo barroco
Iniciou seus estudos de música ao violino com doze anos de idade  e aos quinze no  violoncelo com Atelisa de Sales, Alceu Reis, David Chew e Marcio Mallard no Rio de Janeiro. Aos 20 anos ingressou no Conservatório Real de Haia, na classe do violoncelista e gambista Jaap ter Linden. Iniciou seus estudos na música e instrumentos do sécs. XVII e XVIII com a fundação do grupo Solistas de Câmara do Centro Cultural do Pró Música de Juiz de Fora. Também pesquisador das tradições clássicas do repertório do Oriente Médio e Índia e suas influências na música Antiga européia, junto a  Tarab Faundation em São Paulo . Atualmente, faz parte do Núcleo de Música Antiga da EMESP Tom Jobim e do Conservatório de Tatuí como professor de violoncelo barroco e viola da gamba e regente do Ensemble de Performance Histórica do Conservatório de Tatuí.

Alessandro Santoro, cravo
Mestre em piano pelo Conservatório Tchaikovsky de Moscou. Sob orientação de Jacques Ogg, obteve mestrado em cravo pelo Conservatório Real de Haia, onde lecionou por cinco anos. Integrou a Orchestra of the 18th Century e fundou a Den Haag Baroque Orchestra. Responde pelo acervo material e virtual da Associação Cultural Claudio Santoro. Recebeu o Troféu Câmara Legislativa de melhor trilha sonora do 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. É professor de cravo e baixo contínuo do Núcleo de Música Antiga da EMESP Tom Jobim.

Guilherme de Camargo, teorba 
Doutor e mestre em musicologia e bacharel em violão erudito pela ECA USP, vem-se destacando como um dos mais importantes instrumentistas de cordas dedilhadas antigas do Brasil. Além de sua atividade como solista, atua frequentemente junto aos principais conjuntos e orquestras no país. Suas apresentações já o levaram às salas de concerto da China, França, Espanha, Portugal, Finlândia, Bolívia, Argentina, Paraguai e Equador, além de todo o Brasil. Como arranjador, trabalhou em diversas gravações, como os CDs “O Amor Brazileiro – Modinhas & Lundus do Brasil”, “Modinhas” (Capella Brasilica), entre outros. É professor de cordas dedilhadas antigas na EMESP – Tom Jobim e já atuou como professor de cordas dedilhadas antigas nos principais festivais de música do país.                 

Marília Vargas, soprano
Uma das mais ativas sopranos brasileiras de sua geração, formou-se na Schola Cantorum Basiliensis (Suíça, 2001) e obteve o “Konzert Diplom” na classe de Christoph Prègardien, no Conservatório de Zurique (Suíça, 2005). Tem sido professora convidada de importantes festivais de música e universidades do Brasil e do mundo. Realizou inúmeras gravações para rádios e televisões européias e brasileiras. Seus dois álbuns solo, Todo amor desta terra e Tempo breve que passaste: Modinhas Brasileiras estão ambos esgotados. Marília Vargas é também professora de Canto Barroco da EMESP Tom Jobim, preparadora vocal do Coral Jovem do Estado e professora da Oficina de Música Barroca da Escola Municipal de Música de São Paulo.

 

 

Sobre o Núcleo de Música Antiga da EMESP

Atualmente com 42 alunos com idades entre 20 a 40 anos, o Núcleo de Música Antiga da EMESP Tom Jobim desenvolve um projeto pedagógico único no país: um curso de performance em instrumentos de época, cuidadosamente preparados por uma equipe de professores especializados, de atuação internacional. O Núcleo, que tem a coordenação de Luis Otavio Santos, oferece aos alunos práticas específicas da interpretação histórica da música antiga, tais como: baixo-contínuo, análise barroca, retórica musical, terminologia de época, além de música de câmara e aulas de instrumentos antigos. Integram a equipe de professores: Luis Otavio Santos (violino barroco), Ricardo Kanji (flauta doce), Livia Lanfranchi (traverso), Natalia Chahin (oboé barroco), João Guilherme Figueiredo (violoncelo barroco), Alessandro Santoro (cravo), Guilherme de Camargo (cordas dedilhadas barrocas) e Marília Vargas (canto barroco). Esse grupo atua há décadas como corpo docente do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora e trouxe para a EMESP Tom Jobim os excelentes resultados pedagógicos obtidos no festival mineiro, ampliando a proposta para uma formação continuada de alunos, seguindo uma grade curricular inédita nas escolas de música brasileiras.