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Oboísta da Camerata Aberta é premiado no Festival Internacional Primavera de Praga

15 de agosto de 2014

Ricardo Barbosa foi o terceiro colocado em um dos mais importantes concursos de solistas no mundo. Festival da República Tcheca contou com 186 inscritos de 36 países

 
Desde abril de 2014 como oboísta da Camerata Aberta, grupo estável formado por professores da EMESP Tom Jobim, Ricardo Barbosa foi o terceiro colocado do Festival Internacional Primavera de Praga (Prague Spring International Music Festival), um dos principais concursos de solistas do mundo. O músico, de 29 anos, foi o único brasileiro a participar do evento que contou com 186 inscritos de 36 países.
 
Realizada na capital da República Tcheca, entre 7 e 15 de maio, a competição contou com  uma pré-seleção em  janeiro deste ano, que selecionou os 60 melhores instrumentistas para a primeira fase. “A preparação para o concurso começa bem antes, pois temos que enviar uma gravação no momento da inscrição. Isso serve como parâmetro para selecionarem alguns músicos para irem pessoalmente participar da competição”, explica o oboísta.
  
(Foto: PJ-Zdenek Chrapek / Prague Spring)
 
Na primeira fase, os candidatos tiveram 20 minutos para apresentar duas obras. Uma delas foi escolhida pela banca examinadora. A outra, o competidor poderia optar por uma peça dentre as doze elencadas pelo Festival. “A primeira obra que fomos obrigados a tocar foi uma peça romântica de Robert Schumann Três romances para oboé. A outra pudemos escolher. No caso, optei por Doze fantasias para flauta, de Georg Phillip Telemann”,  conta Ricardo Barbosa, que foi selecionado para a segunda fase junto com onze instrumentistas. 
 
“Na etapa seguinte, tive que tocar três peças. Uma delas era obrigatória e foi escrita para o próprio Festival. Sendo assim, tivemos pouco tempo para nos preparar , pois recebemos com apenas dois meses de antecedência”, revela.
 
Após ser selecionado para a terceira e última fase, ao lado de três oboístas, Ricardo conta que se diferenciava dos outros finalistas, pois era o único que vinha de uma escola alemã. “Eu conclui meu mestrado em Colônia, na Alemanha, então esse é meu estilo de tocar. Os demais finalistas, dois franceses e um suíço, estudaram na França”, explica o músico.
 
Na grande final, os concorrentes se apresentaram acompanhados por uma orquestra no Teatro Rudolfinum de Praga. Após ser avaliado pela banca, o oboísta brasileiro foi premiado com o terceiro lugar. O excelente resultado foi bastante comemorado pelo músico brasileiro. “Eu fiquei contente com o meu desempenho em todas as etapas. Depois das provas das duas primeiras fases, muitas pessoas vieram falar comigo e me elogiaram. Disseram que eu estava entre os primeiros colocados”, conta.
 
Apesar de ter recebido prêmio em dinheiro, Ricardo Barbosa diz que o reconhecimento pessoal e profissional foi a melhor recompensa. “Eu tive um retorno, não só dos jurados, mas também de pessoas que assistiram de fora, pois a final foi transmitida pela internet ao vivo. Os professores da Alemanha, que depois entraram em contato comigo, e me disseram que gostaram mais da minha prova do que dos outros”, conclui.
 
O Festival Internacional Primavera de Praga é realizado anualmente. As inscrições para oboé são abertas a cada cinco anos, podendo se inscrever instrumentistas entre 13 e 30 anos. Em 2015, o instrumento do Festival será a flauta.  O evento foi criado um ano após o final da II Guerra Mundial e já teve como participantes Leonard Bernstein e Mstislav Rostropovich.
 
 por Marcus Vinicius Magalhães