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Aluno do Núcleo de Música Antiga é aprovado na Schola Cantorum Basiliensis

08 de agosto de 2012

Diogo Rodrigues, aluno do Núcleo de Música Antiga da EMESP Tom Jobim, foi aprovado no mestrado da Schola Cantorum Basiliensis (Suíça), instituição que é referência mundial no ensino de música antiga. O curso de cordas dedilhadas antigas começa em setembro, sob orientação do renomado professor Hopkinson Smith.

A conquista pela disputada vaga é fruto dos vários anos de dedicação à música, em especial os últimos três anos em que o jovem músico esteve sob orientação de Guilherme de Camargo, professor responsável pelas cordas dedilhadas do Núcleo de Música Antiga. Antes de entrar na EMESP, Diogo nem imaginava que pudesse se especializar no repertório renascentista e barroco.

Trajetória

O jovem músico começou a estudar violão popular aos 16 anos. No ano seguinte, ingressou na Escola Municipal de Música para fazer violão erudito com o professor Henrique Pinto. Apesar de sua afinidade com o instrumento, preferiu cursar uma faculdade de regência, pois sempre imaginou que seria maestro. Em 2000, passou na Unesp para estudar composição e regência e  teve aulas com professores como Samuel Kerr, Abel Rocha, Lutero Rodrigues, Achille Picchi e Edson Zampronha (composição).

Durante a universidade, começou a trabalhar na Casa de Cultura e Cidadania da Eletropaulo, onde regia os coros infantil e juvenil e fundou uma camerata de violões. O trabalho com a camerata, despertou nela a vontade de voltar a se dedicar ao violão.

O ingresso no mundo barroco

Em 2009, soube de um curso de cordas dedilhadas antigas que o professor Guilherme de Camargo estava ministrando na Escola Municipal e decidiu frequentá-lo. Foi a primeira vez que teve contato com algum instrumento de época. 

Como não possuía os instrumentos, só os tocava durante as aulas. No período de férias, o professor sugeriu que Diogo levasse sua guitarra barroca para estudar em casa. Foram duas semanas de estudos intensivos, que levaram o jovem músico a descobrir sua paixão por este novo universo. 

Quando as aulas recomeçaram, Guilherme de Camargo se surpreendeu com o progresso do aluno e emprestou seu alaúde. “Neste período, me encantei com a proposta de interpretação da música antiga, a possibilidade de improvisação e a aproximação com a música popular”, conta Diogo. “Foi o que fez com que eu me encontrasse na música antiga”.   A participação no Festival de Juiz de Fora foi a confirmação de que era isso que ele queria fazer a partir de então.

Como Guilherme de Camargo é responsável pelo curso de cordas dedilhadas no Núcleo de Música Antiga da EMESP, contou a Diogo sobre a proposta pedagógica do Núcleo e em 2010 ele passou no Processo Seletivo. “Neste mesmo ano, participei do Festival de Verão da Escola Dartington, na Inglaterra, e tive aulas com David Miller. Em 2011, fui ao Festival de Belo Horizonte e tive aulas com Hopkinson Smith, que é hoje um dos nomes mais importantes em cordas dedilhadas antigas”, relata.

Em abril deste ano, Diogo decidiu ir à Basel, na Suíça, fazer a prova para ingresso no mestrado da Schola Cantorum. “Consegui que o Ministério da Cultura pagasse as passagens, estadia e alimentação. Fiquei com receio, pois chegando lá, me disseram que foi um dos anos mais concorridos para as cordas dedilhadas. Mas, dois dias depois recebi a ligação do professor Hopkinson Smith dizendo que eu tinha sido aprovado. Nem consigo descrever minha alegria”, comemora.

“Com certeza o professor Guilherme foi essencial para que isso fosse possível. O Núcleo, como um todo, reúne os melhores músicos do Brasil especializados neste tipo de interpretação. Somos privilegiados por termos esta vivência na EMESP”, constata Diogo.

Desafio

Agora, o músico se depara com uma dificuldade: o curso não é gratuito e ele não conseguiu bolsa de estudos. O mestrado custa cerca de R$ 2.500 por mês, fora os custos com estadia em Basel, além de alimentação e transporte. Diogo tem só até setembro para conseguir a quantia. 

Para arrecadar o valor necessário, ele criou uma página em um site de financiamento coletivo. Aqueles que quiserem ajudar, podem acessar o link http://www.benfeitoria.com/correntecultural, para saber como contribuir.