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Especial Instrumentos: Trompete

24 de novembro de 2008

Fernando Dissenha responde cinco perguntas sobre o instrumento de sopro

Fernando DissenhaDando seqüência às matérias especiais sobre instrumentos, apresentamos hoje o trompete, instrumento de sopro da família dos metais. Para isso, convidamos Fernando Dissenha, trompetista solo da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) e consultor do Guri Santa Marcelina, para explicar o surgimento do instrumento, apontar referências e dar dicas para os guris iniciantes no trompete. Confira!

“Música é a melhor forma que existe para manifestar vários sentimentos: alegria, tristeza, entusiasmo, brincadeira, entre muitos outros. Sinto-me abençoado por trabalhar com música.”

Fernando Dissenha

 

Guri Santa Marcelina – Quando surgiu o trompete, quais são os seus ancestrais?

Fernando Dissenha – As primeiras origens do trompete podem ser encontradas há milhares de anos na China, Antigo Egito e Grécia. Esses povos construíram longos tubos de madeira, bronze e prata com uma ponta semelhante a um funil.

GSM – Quais são as referências e repertório do trompete?

FD – Até a Idade Média (500-1430), os instrumentos tocavam somente sons graves. Durante a Renascença (1430-1600), o trompete já era usado para sinalizar, anunciar, proclamar e outros propósitos importantes. Até esse período, porém, o trompete só podia produzir poucas notas. Gradualmente, os trompetistas começaram a desenvolver o registro agudo, especialmente no Período Barroco (1600-1750).

Várias tentativas foram feitas para ampliar o número de notas que o instrumento podia tocar. A melhor delas até então, foi o trompete de chaves. Esse instrumento foi desenvolvido pelo trompetista austríaco Anton Weidinger, e, para ele, foram escritos os famosos concertos de Haydn e Hummel.

O alemão Heinrich Stölzel introduziu os pistões no trompete, por volta de 1815. Logo em seguida, o cornet apareceu na Europa. Os pistões permitiram tocar todas as notas da escala cromática nesses dois instrumentos similares. No trompete, o tubo possui menos curvas e é cilíndrico. Isso faz com que a distância entre os lábios do instrumentista e a campana seja maior. Já os tubos do cornet possuem um desenho complexo e têm a forma cônica, o que dá a esse instrumento um som mais macio e aveludado.

Trompetes e cornets são os instrumentos mais agudos da família dos metais. Eles tocam melodias, harmonias e solos em diversas formações como: bandas musicais, orquestras, conjuntos de música popular e big bands.

Compositores de diversos estilos têm escrito música para o trompete. Alguns dos trompetistas famosos são: Philip Smith, Timofei Dokshitzer, Wynton Marsalis, Maurice André, Clark Terry, Doc Severinsen e Rafael Mendez e Herbert Clarke (cornet).

GSM – Quais são os tipos de trompete?

FD – Existem trompetes de diversas tonalidades: Sib, Do, Re, Mib, Mi e Fa. Além disso existem os piccolos – em Sol, La, Sib e Do. Existem ainda os “primos” do trompete: cornets e flugelhorns e o trompete baixo – que é normalmente tocado por um trombonista.

GSM – Explique o que é bocal, pistões e campana.

FD – Bocal: é a peça do trompete que entra em contato com os lábios do trompetista e abriga a “abelhinha” do músico, que é a vibração dos lábios para produzir o som. O bocal tem diferentes tipos, tamanhos e materiais, dependendo da preferência e necessidade de cada instrumentista.

Pistões: Bons pistões são importantes para se tocar bem. Eles devem executar movimentos rápidos, suaves e sem solavancos ou travamentos. Esse é um dos aspectos mais difíceis na construção do trompete. Cada pistão é diferente e direciona o caminho do ar em distintos conjuntos de voltas, ou seja, eles não são permutáveis. Devem ser colocados em ordem (o pistão 1 é o mais próximo do instrumentista e o 3 o mais distante) e alinhados corretamente. Se o pistão é colocado ao contrário, o ar não passará pelo instrumento resultando na sensação de soprar em uma garrafa fechada. É muito importante manter os pistões em boas condições, limpos e lubrificados.

Campana: É uma parte vital do instrumento. Tudo que diz respeito a ela é importante: desde o material que é feita, até a forma com que ela se alonga no final. Essas características influenciam diretamente o som que o trompete possui. Basicamente, as campanas podem ser prateadas ou douradas. As prateadas tendem a produzir um som com mais brilho e as douradas um som mais macio. Campanas com maior diâmetro produzem sons mais macios, enquanto que campanas menores tendem a soar mais brilhantes.

GSM – O trompetista deve estar atento com a respiração, posição da língua e posição dos dedos enquanto toca. Quais as dicas você dá para aqueles que estão iniciando no trompete para lidar melhor com todos esses elementos?

FD – Todos esses elementos têm que funcionar com eficiência. É essencial que os estudantes tenham um bom professor e se dediquem ao estudo. Para tocar trompete, costumo dizer que precisamos pensar em 4 letras “p”: paciência, persistência, prudência e paixão.

Trompete