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Camerata Aberta recebe o regente francês Guillaume Bourgogne

10 de julho de 2014

No dia 18 de julho (sexta-feira), a Camerata Aberta – principal grupo de música contemporânea em atividade no país – se apresenta no Sesc Bom Retiro, às 20h e os ingressos custam R$ 24 (inteira).

Com direção artística de Sergio Kafejian, o grupo formado por professores da EMESP Tom Jobim  toca sob a batuta do francês Guillaume Bourgogne, que é integrante do conselho artístico do grupo.

No dia 21 (segunda-feira), a Camerata Aberta é uma das atrações do 45º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, onde se apresenta no Espaço Cultural Dr. Além, às 18h45, com entrada gratuita. O repertório escolhido para os dois concertos intitulados Espaço interior do mundo, traz obras dos brasileiros Flo Menezes e Paulo Zuben e dos canadenses Denys Bouliane e Jimmie LeBlanc.

A Camerata Aberta abre o concerto com Rythmes et échos des rivages anticostiens (2009), do compositor canadense Denys Bouliane. A obra é sobre a Ilha Anticosti, do Golfo de São Lourenço, no Canadá, berço dos nativos norte-americanos iroqueses. O autor a considera uma das ilhas mais fascinantes da América do Norte, com seus corais, cânions, rios, florestas, ruínas e faróis. Sobre este ambiente, há diversas lendas e mistérios. Bouliane propõe uma música resultante do encontro da América e Europa no século XVI.

Os conceitos de "ritmo da fala" e "ritmo do corpo" da música dos iroqueses são traduzidos em oposições binárias simples (alto/baixo, agudo/grave) e ritmos de chocalhos e sinos são formas de criar tensão e suspense. A arte de "cantar com a garganta" (em oposição à voz de cabeça ou voz de peito, da tradição clássica europeia) é reproduzida pelos instrumentos. Para Bouliane, Ritmos e ecos das margens de Anticosti (em português) é uma tentativa de reconstituir a música de ancestrais imaginários.

Na sequência, o grupo apresenta uma obra de outro canadense, o compositor Jimmie LeBlanc. Em LEspace intérieur du monde (2007-08), LeBlanc utiliza sua pesquisa sobre Deleuze e Guattari, que estudam a ideia de "corpos sem órgãos" e de Artaud, quando o "eu" do sujeito é apagado para dar lugar à intensidade que lhe trespassa.

A obra propõe uma espécie de despersonificação do material que reflete paradoxicalmente em um gesto musical amplificado do intérprete. O compositor deseja, assim, criar uma imersão em um local metafórico constituído de energias caricaturais, excessivas, radicais. A obra foi composta para o Nouvel Ensemble Moderne, sob regência de Lorraine Vaillancourt.

Na volta do intervalo a Camerata Aberta executa a peça O Vento do Sussuarão (2012), de Paulo Zuben e escrita com base na obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Na história, o Liso do Sussuarão (região misteriosa e temida que compõe a margem esquerda do rio São Francisco) deve ser atravessado como atalho para surpreender um traidor. O caminho é penoso, de calor insuportável e percorrido com sucesso apenas na segunda tentativa, após um pacto com o demônio.

A peça também traz desafios aos instrumentistas, sendo o maior deles o do trombonista e para estes concertos participa o músico Carlos Freitas que encomendou e estreou a peça.

E para fechar, o grupo toca La novità del suono (2006) do também compositor brasileiro Flo Menezes. A obra foi encomendada pelo Ensemble Orchestral Contemporain de Lyon. Seu título se refere a uma frase de Dante Alighieri, com a qual o poeta descreve a deslumbrante experiência ao ouvir novos sons no Paraíso.

A obra revisita os instrumentos orquestrais como se lidássemos com uma primeira escuta, (re)descobrindo suas características. Os sons dos instrumentos de percussão são transformados e espacializados em tempo real. A obra é fundamentalmente construída em proporções da série de Fibonacci, consistindo de 13 Situações. Tais Situações implicam comportamentos musicais e teatrais e em certo momento o público se vê diante de um “jogo de dados” operado pelo regente. O jogo faz referência ao Gioco dei Dadi Musicali K. 516f de Mozart, um dos primeiros exemplos de acaso empregado sistematicamente na composição.

Entre agosto e setembro, a Camerata Aberta faz mais duas apresentações e recebe convidados nacionais e internacionais, como os regentes Celso Antunes e o espanhol Ernest Izquierdo, regente honorário da Orquestra Sinfônica de Navarra Pamplona. Nessas apresentações, o grupo vai mesclar o repertório com obras brasileiras, como dos compositores Eduardo Guimarães Álvares e Paulo Rios Filho, com peças do austríaco Georg Friedrich Haas, da sul-coreana Unsuk Chin, do alemão Wolfgang Rihm, dos finlandeses Kaija Saariaho e Magnus Lindberg e do argentino Martin Matalon. 

Programa

Denys Bouliane
Rythmes et échos des rivages anticostiens
 

Jimmie LeBlanc
L’Espace intérieur du monde
 

[Intervalo]
 

Paulo Zuben
O Vento do Sussuarão
 

Flo Menezes
La novità del suono

Serviço
Data: 18 de julho, sexta-feira
Horário: 20h
Local: Sesc Bom Retiro
Endereço: Alameda Nothmann, 185.
Ingressos: R$ 24 (inteira), R$ 12 (meia e usuário inscrito no Sesc) e R$ 4,80 (comerciário inscrito no Sesc)
Mais informações: (11) 3332-3600
Duração: Aproximadamente 60 minutos
 

Ficha técnica – Camerata Aberta
GUILLAUME BOURGOGNE regência
FLO MENEZES difusão eletroacústica, eletrônica em tempo real
CARLOS FREITAS trombone
DANIEL AVILEZ técnica
CÁSSIA CARRASCOZA flauta
RICARDO BARBOSA oboé
FÁBIO CURY fagote
NIKOLAI GENOV trompa
ADENILSON TELLES trompete
LIDIA BAZARIAN piano
HERI BRANDINO percussão
PEDRO GADELHA contrabaixo

Músicos convidados
Giuliano Rosas clarinete Zuben, Bouliane, Leblanc
Israel Salomé trompete Zuben
Luciano Amaral trompa Zuben, Leblanc
Emerson Teixeira trombone Zuben, Leblanc
Gustavo Campos tuba Menezes
Ana de Oliveira violino Zuben, Bouliane, Leblanc, Menezes
Maria Fernanda Krug violino Zuben, Bouliane, Leblanc
Jéssica Wyatt viola Zuben, Bouliane, Leblanc, Menezes
Maria Luisa Cameron violoncelo Zuben, Bouliane, Leblanc, Menezes
Direção artística: Sergio Kafejian
Conselho artístico: Flo Menezes, Guillaume Bourgogne, Marisa Rezende, Paulo Zuben, Roberto Victorio e Silvio Ferraz

Guillaume Bourgogne – regente convidado
Estudou nos conservatórios de Lyon, sua cidade natal, e de Paris. Venceu o prêmio de regência orquestral tendo Janos Fürst como professor. Atualmente é codiretor artístico do Ensemble Cairn (Paris) e integrante do Conselho Artístico da Camerata Aberta. É frequentemente convidado a reger orquestras como a Orquestra Gulbenkian (Portugal), Filarmônica de Seul, Nacional de Bordéus-Aquitânia, Filarmônica de Nice, entre outras. Além de reger o repertório dos séculos XIX e XX, também conduz grupos de música contemporânea como o Court-Circuit, L’Itinéraire, Ensemble TIMF e Contrechamps. Participa de festivais no mundo todo, como Festival de Inverno de Campos do Jordão (Brasil), Festival d’Art Lyrique (França), Festival Internacional Tongyeong (Coreia), Música Viva (Portugal), Ars Musica (Bélgica), Darmstadt Ferienkurse (Alemanha), Borealis (Noruega), entre muitos outros. Tem estreado obras de diversos importantes compositores. Guillaume Bourgogne dirigiu a Camerata Aberta em seu CD de estreia, Espelho d’Água, lançado pelo Selo Sesc em 2012 e vencedor do Prêmio Bravo!.

Carlos Freitas – trombone
Iniciou seus estudos musicais aos 15 anos com Marcos Sadao Shirakawa. Foi integrante da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo e da Orquestra Experimental de Repertório, onde venceu o concurso Jovens Solistas. Venceu por unanimidade o V Prêmio Weril para instrumentos de sopro. Atuou como trombone solo das orquestras Sinfonia Cultura, Sinfônica Nacional do Chile e Filarmônica de São Bernardo do Campo. A partir de 2003, é trombone solo da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo e professor na EMESP Tom Jobim. Integra a Camerata Aberta e é fundador do projeto Bone Brasil. Destacou-se no cenário musical com o lançamento do primeiro volume do projeto Trombone Contemporâneo Brasileiro, que encomendou e estreou diversas obras de compositores de nosso país. Desde 2013, é artista endossado pela Antoine Courtois Paris.