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Camerata Aberta apresenta obras do século 20 com regência de Eduardo Leandro

18 de junho de 2010

Em junho, grupo contemporâneo apresenta Depois dos Números, no SESC Vila Mariana e no MASP; repertório traz peças criadas por Luciano Berio, Pierre Boulez, Franco Donatoni, Gesualdo da Venosa, Phillipe Manoury, Giacinto Scelsi e Isang Yung

A Camerata Aberta, grupo residente da Tom Jobim – Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP), apresenta Depois dos Números, no dia 27 de junho (domingo), às 16h, no Grande Auditório do MASP. O concerto traz o brasileiro radicado em Nova Iorque, Eduardo Leandro, que será o regente residente nos próximos meses de trabalho da Camerata. No repertório, obras de Luciano Berio, Pierre Boulez, Franco Donatoni, Gesualdo da Venosa, Phillipe Manoury, Giacinto Scelsi e Isang Yung.

Depois dos Números revela a produção que se deu após a década de 1950, superando a música calcada nos processamentos matemáticos, característica daquela época. Segundo o coordenador da Camerata Aberta, Sergio Kafejian, “após esse período, criaram-se três caminhos de especulação musical: objeto sonoro, gesto musical e mergulho sonoro. Os compositores que a Camerata Aberta interpreta nos concertos de junho refletem e exemplificam cada um deles”.

Piri, de Isang Yun (1917-1995), e Nuits, de Giacinto Scelsi (1905-1988), representam a terceira vertente. Ambos mergulham na sonoridade das variações do som e do próprio instrumento. Em Piri, o compositor de origem coreana Yun trabalha com o oboé solo, instrumento que, segundo a tradição coreana, representa a alma humana. Em Nuits, do italiano Scelsi, a variação sonora é obtida no contrabaixo solo.

O segundo caminho, que analisa o objeto sonoro, é representado pelo francês Pierre Boulez (1925). Dérive 1 põe em evidência o “objeto sonoro”, o som como fenômeno perceptível ao ouvinte, desprendido de referências culturais prévias.

Luciano Berio (1925-2003), por sua vez, resgata as possibilidades técnicas e a virtualidade do instrumento, representando o caminho do gesto musical. A Camerata traz duas de suas composições: Sequenza V, para trombone, e Ricorrenze. A primeira integra uma série de 14 solos instrumentais, nos quais a história de cada instrumento é valorizada, e a segunda é uma homenagem ao 60º aniversário de Boulez, com comentários sobre a obra Dérive 1.

O concerto traz ainda Luci II, do italiano Franco Donatoni (1927-2000), Le Livre des Claviers, do francês Phillipe Manoury, e uma orquestração de três madrigais do singular compositor renascentista italiano Carlo Gesualdo di Venosa pelo compositor brasileiro Eduardo Guimarães Álvares (1959). Esta última peça faz parte da proposta da Camerata Aberta de recriar peças históricas com uma visão contemporânea.


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Eduardo Leandro

 

Eduardo Leandro é professor de percussão no Conservatório de Genebra, professor e regente do grupo de música contemporânea da Universidade Stony Brook, em Nova York. Durante oito anos, ele foi diretor de estudos de percussão na Universidade de Massachusetts em Amherst. Toca regularmente com o New York Chamber Symphony, a American Symphony Orchestra, a Orpheus Chamber Orchestra, o Steve Reich Ensemble, Sequitur Ensemble, e o Bang on a Can All-Stars. Recentemente foi membro do júri no Concurso Internacional de Marimba de Osaka. Foi também percussionista principal com o Grupo Champ d’Action na Bélgica e tocou regularmente com a Orquestra da Concertgebouw na Holanda e o Grupo Contrechamps na Suíça.

Como regente, apresentou algumas das peças mais importantes do último século, tais como Pierrot Lunaire e Sinfonia de Câmera de Schönberg, o Concerto para 13 instrumentos e o Concerto de piano de Ligeti, Les Oiseaux Exotiques de Messiaen, Palimpseste de Xenakis e Dérives I de Boulez. Ele também regeu mais do que trinta estreias para grupo de câmara e uma grande parte do repertório para grupo de percussão.